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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Lula diz que revogação do visto de embaixadora pelos EUA foi "irresponsável"

                                                foto:reprodução/Ricardo Stuckert



 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (5/8), que a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti foi “irresponsável e “impensada”. O petista ressaltou também que não deve receber novos embaixadores até as eleições, marcadas para outubro.

“Ele tomou essa atitude [de revogar o visto], que acho uma atitude irresponsável, impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática. Então é desnecessário”, avaliou o titular do Palácio do Planalto.

Segundo Lula, os Estados Unidos não “deram importância” para a situação da embaixada no Brasil, que está há mais de um ano e meio sem representante.

“Os EUA não deram importância à embaixada no Brasil porque faz um ano e meio que [Donald Trump] está no poder e não mandou para cá. Aí tentou mandar e acha que a gente tem obrigação de fazer na data que eles querem? Não é correto, não é possível. E nós queremos ser tratados com respeito”, ressaltou Lula.

A declaração ocorreu durante entrevista aos podcasts Meteoro Brasil, Os Três Elementos e BlaBlaLogia, especializados em cobertura científica.

A decisão do governo norte-americano foi anunciada nessa terça-feira (4/8). A gestão de Donald Trump atribuiu a revogação à demora na concessão do aval diplomático para atuação do embaixador Daniel Perez no Brasil. Ele foi indicado ao posto em 1º de junho, sem consulta prévia ao governo brasileiro, e desde então aguarda definição.

Interferência

Na entrevista, Lula também comentou a possibilidade de interferência externa nas eleições brasileiras. Ele disse que o Brasil está “preparado” e vai enfrentar tentativas de ingerência. O presidente afirmou, ainda, achar “bom” se o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, quiser se engajar na campanha adversária.

“Não dá para ninguém pensar que vai se intrometer, de fora, aqui, para disputar as eleições. Se eles quiserem fazer num outro país, que façam. Aqui no Brasil, não vão fazer. Agora, se quiser vir aqui, se o secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, pode vir, acho até bom”, declarou.


Fonte: METRÓPOLES - 05/08/2026

Ensino Superior: MEC divulga resultado do ProUNi do 2º semestre; Confira

                                             foto:reprodução

Os candidatos que participaram do processo seletivo do Programa Universidade para Todos (Prouni), referente ao 2º semestre de 2026, já podem conferir o resultado da segunda chamada no Portal Acesso Único ao Ensino Superior.

O Ministério da Educação reforçou que o prazo para os pré-selecionados comprovarem as informações da inscrição começa nesta quarta-feira (5) e segue até o dia 14 de agosto. Acesse abaixo:

https://acessounico.mec.gov.br/prouni

Lista de espera


Ainda segundo a pasta, candidatos que não foram pré-selecionados em nenhuma das chamadas feitas até o momento podem aderir à lista de espera. Para isso, é preciso manifestar interesse nos dias 26 e 27 de agosto.

A divulgação da lista com a classificação de todos os que manifestarem interesse está prevista para o dia 1° de setembro.

Cronograma


– Resultado da 2ª chamada: 5 de agosto

– Comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na 2ª chamada: 5 a 14 de agosto

– Lista de espera: 26 e 27 de agosto

– Resultado da lista de espera: 1º de setembro

– Comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro.



Jeremoabo: De acusações de extorsão por cocaína a esbulho: os detalhes da guerra judicial travada por advogado executado


                                              foto:reprodução



 A execução a tiros do advogado Diego Fraga de Castro, de 42 anos, cujo corpo foi encontrado nesta terça-feira (4) dentro de um automóvel nas imediações da Serra da Santa Cruz, na zona rural de Jeremoabo, expôs os conflitos envolvendo o causídico. O crime já está sendo investigado pela Polícia Civil, com acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA).

Informações de bastidores indicam, entretanto, uma série de conflitos no qual o advogado estava envolvido. O mais notório foi o desagravo público recebido por ele pela OAB-BA por violação das prerrogativas no Cartório de Registro de Imóveis de Jeremoabo. 

O fato foi criticado pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador José Rotondano, em uma sessão do Conselho da Magistratura.

A briga com o cartório
O Cartório de Registro de Imóveis de Jeremoabo era gerido pela oficiala titular Juliete Laura Rocha Maurício Rosendo. A briga entre as partes escalou a partir de 2022, quando atritos operacionais sobre cobrança de emolumentos cartorários se transformaram em uma sucessão de representações disciplinares, boletins de ocorrência e ações de indenização por danos morais.

Com o acirramento das tensões, a Seccional Baiana da OAB interveio no conflito. Em 11 de junho de 2023, a Ordem realizou um ato público de desagravo em favor de Diego Fraga, em Jeremoabo. O manifesto da classe ocorreu na Rua Spencer Andrade de Sá, diretamente em frente ao Cartório de Registro de Imóveis, sob a justificativa de repelir ofensas morais e institucionais direcionadas ao advogado em decorrência de sua atuação profissional.

O episódio ganhou repercussão no Judiciário baiano após a tabeliã utilizar um caminhão estacionado na entrada da serventia para tentar obstruir a realização do ato e dificultar o acesso dos membros da OAB. A conduta foi classificada como abuso de autoridade pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargador José Rotondano, que expôs publicamente a crise nos cartórios extrajudiciais do estado ao citar o bloqueio da serventia com o veículo como exemplo de excesso cometido por delegatários contra a advocacia.

Nas instâncias judiciais, o embate gerou condenações financeiras contra a delegatária. Em ação que tramitou no Juizado Especial Cível de Jeremoabo, iniciado em 2025, Juliete foi condenada ao pagamento de R$ 10 mil a título de dano moral a Diego. A condenação decorreu de ofensas proferidas pela ré em meio a uma audiência criminal realizada em 5 de setembro de 2024.

Na sentença, o magistrado destacou o teor pejorativo das agressões verbais registradas em ata.

A condenação foi fundamentada exclusivamente nas ofensas registradas no termo da audiência criminal realizada em 5 de setembro de 2024, especificamente as palavras 'vagabundo', 'drogado', 'virar homem' e a imputação de que o autor pretendia cometer extorsão para comprar cocaína."

Mais recentemente, em 20 de julho de 2026, o Juizado Especial Cível proferiu nova sentença condenatória, impondo à oficiala o pagamento de mais R$ 8 mil ao advogado. O motivo foi a juntada de termos pejorativos em uma resposta formal encaminhada pela ré à Corregedoria-Geral do TJBA.

A sentença proferida em julho de 2026 reproduziu trechos dos escritos apresentados pela delegatária.

Ao final, a demandada declarou ter tentado não absorver o 'veneno dessa criatura mal-amada', sustentou que o único propósito de vida do autor seria 'causar aversão nas pessoas', afirmou não ter 'estômago' para tratar de assuntos relacionados a ele [...] que ele comparecia ao cartório 'surtado', 'ficava igual uma gazelinha' e que a Corregedoria deveria ficar ciente do 'tipo de gente que ele é'."

Animosidade recíproca e perdão judicial
Apesar das vitórias cíveis do advogado, as decisões de cunho criminal no TJBA demonstraram que a relação conturbada envolvia excessos mútuos. Ao julgar uma queixa-crime por injúria e difamação movida por Diego, o juiz Leandro Ferreira de Moraes proferiu sentença em 24 de setembro de 2025 reconhecendo a ocorrência de ofensas recíprocas no ambiente de trabalho da serventia.

A decisão registrou que, entre os anos de 2021 e 2022, o próprio advogado compareceu reiteradas vezes ao Cartório de Imóveis e desferiu xingamentos contra a titular perante funcionários e usuários, chamando-a de "vagabunda e safada" e acusando-a de utilizar servidores para "roubar o Tribunal". Diante disso, o magistrado concedeu o perdão judicial e extinguiu a punibilidade da acusada:

Reconheço que o querelante em suas ações anteriores gerou contexto de animosidade que contribuiu para o desfecho injurioso. A reação da querelada, embora desproporcional e reprovável, foi motivada por esse contexto, portanto passível de perdão judicial nos termos do art. 140, § 1º, I do CP."

Impedidos e suspeitos
A degradação das relações na comarca alcançou níveis que comprometeram a condução regular dos processos. Em 30 de maio de 2025, em um processo criminal, o juiz titular da Vara Criminal de Jeremoabo, Leandro Ferreira de Moraes, declarou seu impedimento formal para julgar demandas envolvendo o advogado, registrando nos autos ter sido testemunha presencial dos incidentes.

Consta na inicial que este signatário presenciou os fatos [...]. Assim, em respeito ao princípio da imparcialidade, que é essencial para a atuação do magistrado, considerando o envolvimento prévio do juiz com os fatos do processo, declaro-me impedido, nos termos do art. 252, II, do CPP."

Meses depois, em 9 de dezembro de 2025, o juiz substituto Paulo Eduardo de Menezes Moreira também se declinou de atuar nos mesmos autos, averbando suspeição por motivo de foro íntimo.

"Hei por bem em averbar a minha suspeição por motivo de foro íntimo, nos termos do § 1.º do art. 145 do CPC e, com fundamento § 1.º do art. 146 do mesmo diploma legal, ORDENO a remessa dos autos ao substituto legal."

Invasão de terras e "carteirada"
Para além do longo embate no registro imobiliário, a atuação profissional de Diego Fraga de Castro na advocacia privada era fortemente associada a litígios imobiliários e conflitos fundiários na região.

No início de 2026, o advogado passou a figurar formalmente no polo passivo de um Termo Circunstanciado na comarca de São Felipe. Na ação, instaurada a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia, Diego era investigado pela prática dos crimes de ameaça e esbulho possessório, conduta tipificada no Código Penal pela usurpação ou invasão de propriedade imóvel alheia mediante violência ou grave ameaça.

Fora dos tribunais baianos, a trajetória do jurista também contava com episódios de confronto contra forças de segurança em Sergipe, seu estado de origem. Durante um evento festivo na cidade de Pinhão (SE), Diego acabou detido em flagrante pela Polícia Militar sergipana.

Imagens gravadas por testemunhas e anexadas ao procedimento criminal mostram o advogado visivelmente alterado, desobedecendo a ordens de abordagem e proferindo insultos contra a guarnição. Após ser imobilizado e colocado na caçamba da viatura, a vítima passou a ostentar títulos de mestrado e doutorado como forma de desacatar os agentes policiais. Ele respondeu em liberdade a processo criminal por resistência, desobediência e desacato após passar por audiência de custódia perante a Justiça sergipana.

Linhas de investigação


A forma como o corpo de Diego Fraga de Castro foi localizado, atingido por disparos de arma de fogo na região da cabeça, dentro de um carro parado em um trecho isolado no nordeste baiano, faz a Polícia Civil e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) trabalharem primariamente com a hipótese de execução planejada ou emboscada.

Diante do rastro de desavenças e do volume de frentes conflituosas acumuladas pela vítima entre 2021 e 2026, envolvendo litígios de terra, ações por injúria, acusações de invasão e entreveros institucionais, os investigadores trabalham para mapear os passos do advogado e identificar os mandantes e executores do crime.


Fonte:Claudia Cardozo/Metrópoles - 05/08/2026

Futebol: Imprensa esportiva mundial repercute confusão com Neymar em Belém

                                                            imagem:reprodução


Após a vitória do Santos de 1 x 0 sobre o Remo no Mangueirão na noite de ontem (4) em Belém, o assunto mais comentado não foi a classificação da equipe de São Paulo para a próxima fase da Copa do Brasil, mas a confusão que se estabeleceu no pós jogo, tendo como principal envolvido o jogador Neymar, dirigentes e torcedores do Remo, ao ponto da imprensa esportiva mundial repercutir em seus diários de hoje (5). Confir ano link abaixo do site UOL as manchetes.

https://www.uol.com.br/flash/?c=9e83923719ec9dc5f2dd67eab63b6ac20260805 

Concurso: Transpetro lançará 4 editais com 281 vagas em nível Médio, Técnico e Superior


                                      imagem:reprodução/site da instituição



O Conselho de Administração da Transpetro aprovou, no último dia (30/07), a realização de processos seletivos públicos para admissão nos seus quadros de terra e de mar.

Serão publicados quatro editais, totalizando a divulgação de 281 vagas e formação de cadastro de reserva.

Para o quadro de terra, serão publicados dois editais: um para cargos de nível médio e outro para nível superior.

 Para o quadro de mar, haverá um edital destinado a oficiais e outro para suboficiais e guarnição.

No quadro de terra, as vagas serão distribuídas entre os polos Norte/Nordeste, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul. Para o quadro de mar, as oportunidades terão abrangência nacional. A distribuição das vagas por cargo e polo de trabalho serão divulgadas nos referidos editais.


fonte: Site da Transpetro c/adaptações



ONU denuncia projeto bolsonarista contra meninas; diz colunista do ICL


                                     foto:reprodução


Numa carta sigilosa enviada ao governo brasileiro, relatores e órgãos da ONU denunciaram a aprovação de um projeto que dificulta a realização de abortos em crianças e adolescentes vítimas de estupro. Chamado de PDL da Pedofilia e do Estupro por movimentos sociais, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), cancela a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e foi liderado por parlamentares bolsonaristas.

Para os relatores da ONU, o ato liderado por bolsonaristas vai abalar o direito de meninas e mulheres, principalmente as mais vulneráveis. A carta, de 27 de julho e obtida com exclusividade pelo ICL Notícias, desmonta a narrativa da campanha de Flávio Bolsonaro de que o candidato à presidência privilegia a defesa dos interesses das mulheres. O tom usado pela extrema direita vem num momento em que o voto das milhões de brasileiras será estratégico para a eleição de outubro.

O PDL 3/2025 é de autoria da deputada Chris Tonietto (PL/RJ) e foi aprovado na Câmara de Deputados em novembro do ano passado. Mais recentemente, em votação relâmpago e esvaziada, o Senado aprovou a proposta em um procedimento que durou dois minutos.

Na carta, as autoridades estrangeiras expressam “profunda preocupação” com o fato de que a aprovação “possa representar um retrocesso na proteção dos direitos à saúde sexual e reprodutiva, enfraquecer mecanismos de coordenação e proteção voltados especificamente para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade acentuada e eliminar salvaguardas já estabelecidas sem oferecer medidas compensatórias ou alternativas equivalentes”.

O documento é assinado por Claudia Flores, Presidente-Relatora do Grupo de Trabalho sobre a discriminação contra mulheres e meninas; Isabelle Mamadou, Presidente-Relatora do Grupo de Trabalho de Especialistas sobre Afrodescendentes; Morris Tidball-Binz, Relator Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias; Tlaleng Mofokeng, Relatora Especial sobre o direito de todas as pessoas ao mais alto padrão possível de saúde física e mental; Ashwini K.P., Relatora Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata; Alice Jill Edwards, Relatora Especial sobre tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.

A lei avança apesar de números reveladores sobre a dimensão da violência contra meninas no Brasil. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 64 meninas em média foram vítimas de violência sexual, por dia, no país. Somente no ano de 2024 foram registrados 45.435 casos de violência contra meninas com menos de 17 anos, uma média de 3,78 mil notificações por mês.

“Preocupa-nos que isso possa resultar em lacunas significativas na prestação de serviços, incoerência, incerteza institucional e fragmentação nas respostas a casos de violência sexual, agravando, assim, desigualdades regionais, territoriais e raciais”, alertam.

“Tal medida também pode impedir o acesso oportuno ao atendimento para as vítimas e levar à vitimização secundária decorrente de barreiras burocráticas no acesso aos serviços”, destacam.

“Por fim, manifestamos preocupação com o fato de que o processo legislativo que culminou na aprovação do PDL nº 3/2025 teria sido marcado pela ausência de devido processo legal, transparência e amplo debate público”, disseram.

Segundo eles, a aprovação do PDL nº 3/2025 pode violar princípios como o do melhor interesse da criança, da não discriminação, da autonomia progressiva e da proibição de medidas de retrocesso no campo dos direitos humanos, bem como padrões internacionalmente acordados relativos à dignidade e aos direitos de mulheres e meninas, incluindo o direito a viver livre de violência e de não ser submetida à tortura ou a tratamento cruel, desumano ou degradante.

De acordo com a carta, esses direitos são protegidos por acordos internacionais assinados e ratificados pelo Brasil.

A ONU desta que a resolução nº 258/2024, que foi abolida, não criou novas hipóteses de aborto legal. “Em vez disso, estabeleceu diretrizes para garantir que crianças e adolescentes pudessem acessar a proteção assegurada pelo ordenamento jurídico brasileiro”, explicaram os relatores.

“A norma contribuiu para o planejamento, a gestão e a organização dos serviços e redes que atuam na proteção de crianças e adolescentes, fortalecendo a articulação institucional entre estados e municípios e apoiando uma resposta mais eficaz à violência sexual contra esse público. Entre os principais avanços trazidos pela Resolução está o respeito ao princípio das capacidades em evolução, ao reconhecer o direito de crianças e adolescentes de participarem de decisões sobre seus direitos reprodutivos, conforme estabelecido pela Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança”, disseram.

A denúncia da ONU ainda aponta para a manobra que foi usada por parte de parlamentares bolsonaristas para que o projeto fosse aprovado, sem espaço para debates.

“Em 2 de junho de 2026, o PDL foi incluído na pauta da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania do Senado, a única comissão temática encarregada de analisar a proposta naquela Casa”, disse a carta, numa referência à comissão liderada por Damares Alves.

“Não houve, segundo relatos, a realização de audiência pública com ampla representação de organizações especializadas na proteção dos direitos da criança, associações médicas, especialistas em saúde pública, representantes de sistemas de proteção à infância ou sobreviventes de violência sexual antes da deliberação final sobre a matéria”, afirmou.

“Também não foram consultadas, segundo informações, as organizações que participaram da elaboração da Resolução nº 258/2024 nem as instituições responsáveis ​​por sua implementação”, insistiu a carta.

“O PDL foi aprovado por unanimidade pela Comissão naquela mesma manhã. À tarde, o projeto foi incluído na pauta do Plenário do Senado, com apenas sete senadores presentes fisicamente e a maioria participando remotamente. A matéria foi aprovada em menos de dois minutos, sem votação nominal que registrasse individualmente a posição de cada parlamentar. O PDL não dependia de sanção presidencial e, portanto, tornou-se definitivo, revogando a Resolução nº 258/2024”, constatou.

Para a ONU, o Brasil tem a “obrigação” de “respeitar, proteger e efetivar o direito das mulheres à não discriminação, bem como a assegurar o desenvolvimento e o avanço das mulheres e a implementar o seu direito à igualdade de jure e de facto em relação aos homens”.

Por isso, na carta, os relatores manifestam “preocupação de que a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025 deixaria, entre outras consequências, as vítimas de violência sexual sujeitas às decisões de seus responsáveis ​​legais, mesmo quando estas conflitassem com o melhor interesse da criança ou, nos piores casos, quando os próprios responsáveis ​​estivessem envolvidos na violência sexual”.

“Como resultado, uma criança poderia ser forçada a levar a termo uma gravidez decorrente de estupro, caso esse fosse o desejo de seus responsáveis ​​legais”, alertam.

Na avaliação da ONU, a aprovação do projeto “pode enfraquecer as proteções a crianças e adolescentes e afetar desproporcionalmente meninas e jovens mulheres negras, indígenas e quilombolas em situação de vulnerabilidade social, bem como aquelas que vivem em periferias urbanas e áreas rurais”.

“Além disso, pode prejudicar os esforços para acabar com a discriminação e a violência contra elas, devido a desigualdades estruturais preexistentes no acesso a cuidados de saúde, à justiça e a políticas de proteção”, insistem.

Por fim, os relatores falam da “preocupação de que a revogação da Resolução nº 258/2024 possa comprometer a proteção do direito à vida de crianças e adolescentes, ao eliminar diretrizes de âmbito nacional destinadas a facilitar o acesso oportuno e eficaz a cuidados de saúde em circunstâncias já reconhecidas pela legislação brasileira, incluindo casos em que a gravidez representa risco de vida para a criança ou adolescente gestante”.


Fonte: Jamil Chade/ICL NOTÍCIAS - 05/08/2026

Ceará: Tirulipa é condenado a pagar R$ 30 mil a duas mulheres por assédio


                                     foto:reprodução


O comediante Everson de Brito Silva, conhecido como Tirullipa, foi condenado a pagar R$ 30 mil em indenização a duas mulheres por expor o corpo delas e praticar atos invasivos durante a “Farofa da Gkay”, em dezembro de 2022. Cada uma das mulheres deverá receber R$ 15 mil. A decisão cabe recurso.

A decisão é da juíza Leila Regina Corado Lobato, da 36ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza. O episódio envolvendo Tirullipa ocorreu em dezembro de 2022, durante uma simulação da “Banheira do Gugu”.

Tirullipa, durante a brincadeira, puxou o laço da roupa de uma das mulheres e tocou os seios da outra sem consentimento. Vídeos do episódio foram anexados ao processo e analisados pela Justiça.

A juíza Leila Lobato entendeu que o humorista “extrapolou os limites inerentes à atividade recreativa” ao desamarrar a roupa de uma participante e tocar partes íntimas de outra sem consentimento.

Segundo a juíza,  a divulgação dos vídeos nas redes sociais e a repercussão nacional do episódio agravaram o constrangimento e a humilhação sofridos pelas duas mulheres. Após o caso, elas passaram a ser alvo de comentários e chacotas em suas comunidades.

No processo, foi anexado um vídeo em que Tirullipa admite ter ultrapassado os limites do comportamento “social” e “juridicamente esperado”. De acordo com a decisão, ele reconhece que “passou do ponto” e “se excedeu”.

Tirullipa, comediante
Tirullipa, comediante. (Foto: Reprodução)

Entenda o caso

A edição de 2022 da “Farofa da Gkay” foi realizada em um hotel cinco estrelas de Fortaleza, no Ceará. Durante o evento, Tirullipa se envolveu em diferentes episódios em uma brincadeira inspirada na “Banheira do Gugu”. A condenação de R$ 30 mil, porém, não está relacionada ao caso envolvendo a atriz e cantora Nicole Louise, mas a episódios com outras duas mulheres paraibanas que participaram da dinâmica.

A brincadeira reuniu influenciadores com milhões de seguidores nas redes sociais, entre eles Tati Quebra Barraco, Lucas Guedez, Gabily e Nicole Louise.

Durante a competição, Tirullipa puxou pelas costas o laço do biquíni de Nicole. Para impedir que o corpo ficasse exposto, ela se agarrou a outra participante. O episódio foi registrado em vídeo e repercutiu nas redes sociais na época.

Segundo a decisão judicial, entretanto, os fatos que levaram à condenação do humorista são referentes a outras duas mulheres que também participaram da brincadeira durante a “Farofa da Gkay”.

A dinâmica, inspirada na antiga “Banheira do Gugu”, tinha R$ 15 mil como prêmio. A vencedora foi a cantora Gabily.

Após a repercussão do episódio envolvendo Nicole, Tirullipa publicou um pedido de desculpas nas redes sociais. Na ocasião, afirmou que havia conversado com Gkay e com a produção do evento e reconheceu ter ultrapassado os limites da brincadeira.

“Depois de ter conversado com a Gkay e toda a produção da Farofa, eu quero pedir desculpa às meninas, mulheres, quero pedir desculpa à Nicole, que se sentiu assediada. Não foi minha intenção, quis levar uma brincadeira, uma diversão, mas eu me excedi”, afirmou.

“Eu vacilei, errei e estou aqui para pedir perdão para você, Nicole, e outras que se sentiram feridas”, completou.


Fonte: ICL NOTÍCIAS - 05/08/2026

A rede que liga advogado Willer Tomaz, alvo de operação do INSS a Flávio Bolsonaro


                                     Foto:reprodução


A relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado Willer Tomaz de Souza vai além dos encontros sociais comuns em Brasília. Ao longo dos últimos anos, a proximidade entre os dois se estendeu à vida familiar do parlamentar, a viagens em aeronaves privadas, a articulações no meio jurídico e a episódios envolvendo o escritório de advocacia de Flávio.

O vínculo ganhou novo peso após Willer se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Na apuração, o advogado é apontado como parte de uma estrutura financeira e patrimonial sob suspeita.

Até o momento, não há indícios públicos de que Flávio tenha participado das fraudes ou se beneficiado da estrutura investigada. Ainda assim, a presença de Willer em seu círculo mais próximo ajuda a dimensionar o alcance político do advogado e vai além da simples definição de “amigo”, usada desde o início do caso.

Registros mostram que Willer não era apenas um conhecido de eventos em Brasília. Ele viajou com o senador e sua família, frequentou ambientes privados, apareceu ligado à administração do escritório de Flávio e participou de articulações envolvendo tribunais superiores.

Em 2021, a proximidade entre os dois já era conhecida nos bastidores a ponto de Flávio, Willer e o advogado Frederick Wassef serem apelidados de “WWF”. O trio negava qualquer sociedade profissional. Wassef já atuava como advogado da família Bolsonaro, inclusive na defesa de Flávio no caso das rachadinhas.

Naquele período, Willer consolidava sua atuação como advogado com trânsito entre políticos, empresários e integrantes do Judiciário. Reportagens da época apontaram que ele havia conquistado acesso direto ao senador, reduzindo a intermediação de Wassef.

Durante a CPI da Covid, Flávio reconheceu a amizade com ambos, mas negou qualquer relação empresarial ou atuação conjunta em negócios.

A partir daí, os episódios conhecidos mostram que a relação ultrapassou o campo pessoal e alcançou espaços políticos, profissionais e institucionais.

Viagens em jatinhos e convivência familiar

Em maio de 2025, Flávio viajou com a esposa e Willer em um avião executivo para a Flórida, nos Estados Unidos. A aeronave pertencia a uma empresa ligada a empresários do setor farmacêutico que já haviam mantido relações profissionais com o advogado.

Em outra ocasião, o senador, a esposa e as filhas viajaram em um jatinho associado a Willer.

Flávio e o advogado afirmam que se tratavam de viagens pessoais, sem contrapartida financeira ou relação comercial. Ainda assim, o uso de aeronaves privadas por um parlamentar levanta questionamentos sobre custos, finalidade e eventuais interesses envolvidos.

O próprio senador já reconheceu que a relação com Willer incluía convivência entre famílias, indicando um nível de proximidade restrito a poucos aliados.

A indicação de Kassio Nunes Marques ao STF

A relação também aparece em um dos momentos mais relevantes do governo Bolsonaro: a escolha do ministro Kassio Nunes Marques para o Supremo Tribunal Federal.

Em 2020, Flávio sugeriu o nome ao pai, então presidente da República. Segundo relatos de aliados, Willer e Frederick Wassef também apoiaram a indicação.

Kassio, então desembargador do TRF-1, acabou nomeado ao STF após articulações políticas e aprovação do Senado.

O episódio evidencia a combinação entre acesso político e articulação jurídica: Flávio com trânsito direto no Executivo e Willer com conexões no meio judicial e empresarial.

O escritório de Flávio e a indicação de funcionária

A influência de Willer também chegou ao escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

Segundo reportagem da Agência Pública, Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, afirmou ter sido indicada por Willer. O advogado nega a versão e diz não conhecer a profissional.

A divergência nunca foi esclarecida. O escritório, criado enquanto Flávio exercia mandato no Senado, passou a ser alvo de questionamentos sobre sua estrutura e clientes.

Embora não haja prova de que Willer tenha levado contratos à banca, o episódio reforça a proximidade entre os dois no ambiente profissional.

Mais tarde, o irmão de Letícia, Alexandre Caetano dos Reis, foi apontado como operador financeiro e sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, investigado por fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários

Atuação conjunta em processo no STJ

Flávio e Willer também atuaram no mesmo caso no Superior Tribunal de Justiça envolvendo a empresa Simas Industrial.

Willer já representava a companhia quando Flávio recebeu procuração para atuar no processo.

Não há evidência de sociedade entre os dois ou divisão de honorários, mas a coincidência de atuação reforça a proximidade no campo profissional.

O caso ocorreu enquanto Flávio já era senador e advogado, situação que frequentemente levanta discussões sobre possíveis conflitos de interesse, embora não haja prova de irregularidade.

A disputa por uma mansão em Angra

A relação pessoal também apareceu em uma disputa judicial envolvendo uma mansão em Angra dos Reis, avaliada em cerca de R$ 10 milhões.

O imóvel, com estrutura de luxo e área privativa à beira-mar, passou a ser disputado por Willer e uma empresa ligada ao jogador Richarlison.

Flávio foi citado como testemunha por ter visitado o local com o advogado antes do início do conflito.

Enquanto uma das versões aponta que ambos demonstraram interesse na compra, Willer nega participação do senador no negócio. Flávio afirma que sua relação com o caso é apenas testemunhal.

A visita conjunta, no entanto, reforça o grau de convivência entre os dois fora do ambiente político.

Festas e circulação entre Poderes

Willer também se tornou conhecido por promover eventos que reuniam políticos, empresários e integrantes do Judiciário.

Em uma dessas festas em Brasília, estiveram presentes Flávio Bolsonaro, o então presidente da Câmara Arthur Lira e outras autoridades.

O ambiente reforça a capacidade de articulação do advogado, que circula entre diferentes grupos políticos sem se vincular exclusivamente a uma corrente ideológica.

Antes de se aproximar de Flávio, Willer chegou a atuar em ações que poderiam atingir Jair Bolsonaro, mas posteriormente passou a integrar o círculo mais próximo do senador.

O alvo da Polícia Federal

A nova fase da Operação Sem Desconto colocou Willer no centro de uma investigação sobre fraudes em descontos aplicados a benefícios do INSS.

A Polícia Federal apura a existência de uma estrutura financeira envolvendo empresas, imóveis e aeronaves. O advogado é apontado como possível articulador dessa rede.

Willer nega qualquer participação no esquema. Não há condenação nem acusação formal contra Flávio no caso.

Ainda assim, a relação entre os dois impede que o episódio seja tratado como algo distante do senador.

Willer esteve presente em viagens familiares, participou de articulações políticas, circulou no ambiente do escritório de Flávio e manteve atuação próxima no meio jurídico.

Uma rede de convivência e influência

Os episódios conhecidos ao longo dos últimos anos mostram uma relação que atravessa diferentes esferas: pessoal, profissional e institucional.

Flávio e Willer compartilham convivência familiar, viagens, ambientes jurídicos e articulações políticas. Ao mesmo tempo, não há até agora prova pública de envolvimento do senador nas investigações que atingem o advogado.

O avanço das apurações deverá esclarecer o alcance da estrutura investigada pela Polícia Federal e o papel de cada um dos envolvidos.

Por ora, o que se documenta é uma relação de proximidade contínua, que se estende dos bastidores do poder às agendas privadas — e que agora passa a ser examinada sob a luz de uma investigação criminal de grande impacto político.


Fonte: ICL NOTÍCIAS- 05/08/2026